6.6.09

Graffiti vs Rui Rio (parte I)

// Graffiters acusam Rui Rio de se comportar como um "camaleão"

Writers acreditam que a aceitação com que o autarca encarou a proposta da vereação PS para o aproveitamento do graffiti na reabilitação de zonas degradadas não passa de "campanha" política.

Os graffiters portuenses com maior reconhecimento nacional e internacional, "Caos" e "Mr.Dheo", duvidam das verdadeiras intenções do presidente da Câmara Municipal do Porto, que classificou como "interessante" a proposta da vereação do PS para o aproveitamento dos graffitis na reabilitação de muros e zonas degradadas da cidade.

"Seria estranho o Rui Rio ter mudado de perspectiva justamente nesta altura. Só faltava felicitar o F.C.Porto pelo tetra e enviar um abraço sentido ao Presidente Pinto da Costa", ironiza "Mr.Dheo", que inclui no seu site uma declaração em que, há alguns anos, o Presidente da CMP ter-se-à referido aos graffiters como "delinquentes".

O artista diz mesmo que "à Câmara Municipal já chegaram várias propostas", inclusive uma, em 2007, que propunha aquilo a que o Rui Rio hoje definiu como "uma proposta interessante". E o 'interessante' disso foi eu ter recebido em casa uma carta registada da Câmara a aconselhar-me o Centro de Emprego".

Também "Caos" desconfia da postura de "cameleão" do presidente da CMP que, "quando tem de ser verde é verde, quando tem de ser vermelho é vermelho". Até porque, sustenta, "ainda há 4 anos o discurso era bastante mau, quem fazia graffiti eram vândalos, portanto isto é manobra política".

Para o artista, a abertura de Rui Rio à proposta do PS não passa de "uma atitude de última hora" em relação à cultura. "A Elisa Ferreira terá obviamente um programa cultural mais forte que o PSD alguma vez teve", remata.

// Uma nova "maquilhagem" para o centro da cidade

"Caos" teme, porém, que a iniciativa da vereação socialista não passe de uma nova "maquilhagem" no sentido de "disfarçar o facto de a Baixa do Porto estar completamente abandonada". "Se [a CMP] me contacta porque ouviu falar que eu faço graffiti e que se calhar até dava jeito dar umas baforadas de tinta para disfarçar uma fachada que eles deixaram ao abandono há duas décadas, passo", acrescenta "Mr.Dheo".

Ainda assim, e apesar de duvidarem da efectiva concretização do projecto que prevê terminar com a dispersão de graffitis espalhados pela cidade e reuni-los na reabilitação de áreas destruídas, os dois artistas classificam a ideia como "uma boa solução para não gastarem muito dinheiro". E até se mostram disponíveis para participar na iniciativa, "desde que pressuponha uma "selecção criteriosa do trabalho que vale a pena ser visto e divulgado, e do que não interessa", avisam.

"Se a Câmara me contactar bem contextualizada com o meu trabalho e currículo, no sentido de desenvolver um trabalho sério, apoiado e valorizado e que tem como objectivo embelezar a cidade, tenho todo o interesse", sustenta "Mr.Dheo".

Obedecendo à lógica de intervenção social que desenvolve no seu trabalho pessoal, "Caos" gostaria de se "aproveitar do próprio sistema para mandar uma tacada" ao mesmo. Para isso, ao executar um trabalho deste género na cidade do Porto, pondera manifestar o que pensa da política - "já não me engana", diz - nos seus graffitis e assim "virar o jogo ao contrário".

*Fonte: JPN

2 comentários:

mesk disse...

clap clap clap :)

Anónimo disse...

CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP.
O RIO NEM COM IMPLANTE CAPILAR ME ENGANA.
Sempre a considerar, JP.