Mostrar mensagens com a etiqueta Artigos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Artigos. Mostrar todas as mensagens

5.3.10

Clube quê?

» A FRAUDE MOLOTOW

O e-mail do Cartel é, como muitos outros, inundado de spam. 99,9% vão directos para a lixeira. Mas hoje o assunto era "A arte de graffitar com a Molotow a -50%!", e o remetente (que tão bem se encaixa na nossa cultura), o Clube Fashion.

Eis o texto do e-mail:

"Caro Membro,

Assinaturas, stencil, verdadeiras obras de arte. Há quem considere primitivo, ilegal e provocador. O certo é que sem o risco, isto não seria o mesmo, pois o risco também é fonte de inspiração. Há quem abuse, sem dúvida, que não respeite os espaços e que grafite só porque sim. Mas há pinturas que deixam qualquer um extasiado, que nos fazem pensar “como é que com spray se faz algo tão perfeito?”.

Hoje vamos olhar para a arte através de uma perspectiva moderna, alternativa e open mind. Ok?

A Molotow é uma verdadeira especialista na arte de grafitar, tendo revolucionado este mercado com artigos premium e muito originais. Chegou ao seu Clube de Moda propondo marcadores, sprays e acessórios destinados aos verdadeiros artistas de rua, a quem grafite numa tela, a quem gosta de pintar camisolas, etc.

A imaginação não tem limites nesta campanha! Por isso aproveite as cores e a qualidade Molotow!"


Seguiu-se o "clic" para confirmar estes fantásticos preços. Eis o que o site da Club Fashion apresenta:



Ora, já com 50% de desconto, cada lata da Molotow é vendida neste site a 7,50€. Porque, segundo eles, o PVP das lojas é de 15€/lata.

Os markers normais estão a 11€ e os All4One a 5€. Repetindo, com 50% de desconto.

Há máscaras a 100€ (PVP de lojas a 200€), blackbooks a 26€ (custam, portanto, 52€), caps a 1€ (que custam 2€) e recargas para os markers a 25€ (50€ fora do Clube Fashion...)

Este é um site que vende perfumes, sapatos, produtos de bem estar...e material de graffiti. Como o próprio nome indica, o graffiti é fashion, está na moda, vende. E vão sempre existir burros engravatados a sentirem-se no direito de encher os bolsos ao aproveitar-se descaradamente destas ondas que vão surgindo. Nós, como artistas urbanos e amantes do graffiti, devemos sempre lembrar-nos que os meninos da Foz e de Cascais pedem ás mamãs latas para fazer graffiti, e que estas mamãs não vão ás Dedicated ou ás Accidental mas sim ao Club Fashion. Isto significa que estes estercos acabam mesmo por ganhar dinheiro.

Por isso cabe-nos a nós estar atentos e agir. Insurjam-se. Enviem e-mails, telefonem, deitem a casa a baixo. Demonstrem que a Arte está na rua, e que os produtos são vendidos em lojas da especialidade, aos melhores preços possíveis e quase sem lucros para os vendededores, com esforço e dedicação.

E gritem todos bem alto: o Clube Fashion que se ****!

23.2.10

Subworld

» #1 & #2



Para quem já estava envolvido no graffiti por volta de 2000 / 2001 este será com certeza um dos posts mais especiais.

A revista Subworld marcou o graffiti português e foi, apesar de fugaz, um dos melhores meios de divulgação do que se fazia em Portugal há quase dez anos atrás. A primeira grande revista, a mais bem conseguida de todas, a que surgiu na altura certa e a que ajudou o graffiti nacional a dar um passo de gigante numa época em que tudo era diferente.

Alguém a colocou, felizmente, disponível online. Aproveitem bem esta relíquia! Subworld #1 e Subworld#2


*Fonte: Pluz Brut

19.2.10

Cartel na Radio

» OBRIGADO DEDICATED

A Dedicated Store tem uma nova rubrica no conhecido programa de Hip Hop da Antena 3 "Rimas & Batidas".

No passado Domingo a Dedicated fez uma referência ao Cartel Urbe, entre outros, demonstrando uma cada vez maior vontade de divulgar a vertente do graffiti em todos os meios possíveis. Essa referência pode ser ouvida ao minuto 45 da primeira parte do programa aqui.

Fica aqui o apelo da loja a todos os writers, e um agradecimento muito especial ao Babak e ao Ivan. Obrigado!

"Quem conhece bem o conceito da DEDICATED (isto é, quem conhece bem o BabakONE e o IvanskiTGV), sabe que estamos atentos e sintonizados com parte significativa do que se vai passando no movimento, de onde o pessoal está pintando, de jams, sobre a nossa visibilidade lá fora, etc..., além de os apoiarmos (sem distinção).

Consegui uma rubrica DEDICATED no programa "Rimas & Batidas" da Antena3. Para quem não conhece, é o único programa sobre Hip-Hop a nível nacional. Passa nas madrugadas de Domingo/2ª feira (01h-03h).

Basicamente, são 3-5 minutos em que o universo de ouvintes (20 000(!) a nível nacional) do programa têm a oportunidade de receber informações/notícias sobre acontecimentos na comunidade. Sim, na nossa comunidade. Esta informação eu passo para o R.M.A. todas as semanas.

Coisa útil, e simples. Simples? Nem sempre. Daí a razão deste email apelativo. Sempre que souberem de alguma coisa significativa a acontecer, por favor enviem-me a informação. As vezes basta um simples link para me encaminhar. Eu escrevo rapidamente uma frase e envio. Se for algo mais elaborado, melhor.

Em anexo podem ouvir o recorte que fiz do programa que foi para o ar a noite passada. Alguns se calhar não vão conseguir abrir o ficheiro (o meu computador está minado de codecs, por isso não tenho bem a noção dos ficheiros que o pessoal consegue abrir ou não, porque eu consigo). Quem não conseguir, pode checkar o podcast do Rimas & Batidas (Link). A parte que eu recortei está aos 45:20 min., da 1ª hora.

É este o nosso conceito.
É esta a nossa missão.

Abraço e obrigado a todos,

Dedicated Store"

1.2.10

Happy Birthday Cartel

» 2 ANOS



O Cartel Urbe festeja este mês o seu segundo aniversário. Em Fevereiro de 2008 teve início este pequeno projecto que com o passar do tempo foi evoluindo e conquistando uma média considerável de visitas diárias.

Hoje em dia o Cartel é uma referência para o graffiti nacional, não só cá como lá fora. É grande o número de visitantes estrangeiros e este projecto começa a ganhar nome em sites e blogs internacionais.

Isto é bom para todos. Para todos os writers, para todos os que gostam de graffiti e para todos aqueles que visitam o Cartel para se sentirem actualizados e informados sobre o panorama do graffiti e da street art nacional. A revista em particular foi felizmente alvo de um grande feedback e como postado aqui anteriormente, foi referida em alguns dos melhores sites de graffiti mundial.

É importante apelar mais uma vez a todos os writers que contribuam, para que o Cartel Urbe cresça ainda mais, e sobretudo para que a qualidade nacional seja vista e valorizada internacionalmente. Não hesitem, nunca, em enviar newsletters, fotografias e vídeos, artigos e reportagens, sugestões e críticas para o cartelurbe@gmail.com.

Muito obrigado a todos os que foram colaborando nestes dois anos de existência e a todos os que motivaram a sua continuidade e contribuiram activamente para que o Cartel Urbe seja aquilo que é hoje. Nunca deixem de o fazer porque é realmente muito importante.

Parabéns Cartel Urbe!

26.1.10

Subway Sabotage

» METRO DE LISBOA

Subway Sabotage será um livro português de graffiti única e exclusivamente dedicado ao que se faz no Metro de Lisboa. Mais um projecto na calha que merece todo o apoio e colaboração dos writers nacionais, por isso fica o apelo: enviem as vossas fotos (com a melhor resolução possível) para subway_sabotage@hotmail.com


30.12.09

Petição

» SKATEPARK DO SEIXAL

Esta é uma das poucas vezes que o Cartel publica algo que não está directamente relacionado com o graffiti / street art, mas há ideias e iniciativas que precisam de divulgação e apoio e vale sempre a pena.

A malta do Seixal está a lutar pela criação de um skatepark na cidade, e para o conseguirem criaram uma petição na net para a Câmara Municipal. Basta preencher com nome e e-mail para dar mais uma força à criação deste espaço para os skaters!

Assinem aqui.

9.12.09

Vhils

» NO JORNAL "I"



As paredes têm ouvidos, boca e olhos, graças às mãos de Vhils

Vhils tornou-se conhecido quando apareceu, em Maio de 2008, na capa do jornal britânico The Times. Ao lado de uma peça do famoso Banksy, Vhils esculpia uma cara numa parede de um túnel em Leake Street, Londres. Alexandre Farto, o nome verdadeiro do artista de 22 anos (que, como quase todos os graffiters, prefere não dar a cara), foi um dos 39 artistas convidados por Banksy para o Cans Festival. Durante três dias, o evento de arte urbana deu cor a um túnel abandonado com as melhores peças de graffiti e stencil do mundo. "A partir daí, o meu trabalho passou a ser conhecido por um público novo e gigante", disse o artista do Seixal ao i. "As coisas desenvolveram-se muito rápido. Passei a ter convites para exposições, intervenções e colaborações em todo o mundo."

Um dos convites foi o do agente de Banksy, Steve Lazarides. Em Julho deste ano, Vhils fez a sua primeira exposição individual nas paredes da Lazarides Gallery. "Quis expor as várias camadas históricas e sociais que nos formam enquanto pessoas e cultura", explica. "Marco primeiro a forma que quero esculpir com spray e depois desbasto o que pintei na parede, trazendo ao de cima a volumetria da figura." Os materiais que utiliza são pouco convencionais: além das habituais tintas de spray e stencils, Alexandre usa lixívia, ácidos corrosivos, álcool, produtos de limpeza, ferrugem e um martelo pneumático.

Quando era miúdo queria ser inventor. Mas as invenções foram outras. Começou por pintar comboios aos 13 anos. "Depois explorei outras ferramentas que conquistaram pessoas fora do meio fechado do graffiti", diz.

"Em Portugal é difícil ser um artista deste género." Vhils tirou um curso de Belas Artes em Londres, onde foi avaliado "pelo portefólio e não pelas notas de Matemática". Mesmo assim continua ligado ao colectivo de graffiters portuguesa VSP e o seu trabalho pode ser visto em Lisboa, na Escola das Gaivotas.


*Fonte: i

14.11.09

Who is John Scott?

» CAPTURADO COM 74 ANOS



O Sheriff da Polícia de Los Angeles capturou aquele que é considerado o suspeito de "vandalismo" mais velho de sempre, procurado há meses por colar stickers nos transportes públicos, bancos de jardim ou postes de electricidade pela cidade. O Sheriff designou ao Departamento de Problemas Especiais a investigação deste suspeito há cerca de 7 meses atrás, investigação essa que culminou ontem (sexta-feira) com a sua detenção quando John Scott colava stickers numa das principais estações de metro da cidade.

O Sheriff Erik Ruble afirmou à comunicação social que "Até hoje, o suspeito mais velho que tinhamos capturado por graffiti / street art tinha 36 anos" e adiantou "Sabíamos que o John Scott era mais velho, mas nunca pensamos que teria 74 anos".

Quando estavam a estudar John Scott, os investigadores descobriram o seu site pessoal que vendia produtos à volta do mistério da sua identidade, como os stickers que colava na rua, t-shirts e bonés.

No site pode ler-se: "Quem sou eu? John Scott - viajante do mundo, empresário, produtor, mas, acima de tudo, o mistério - um homem comum com uma ideia extraordinária de si mesmo. Uma pessoa real com uma história real, que também é como tu ou como eu, o rosto numa janela, a voz num autocarro".

"O mistério acabou", concluiu o Sheriff Ruble.

13.11.09

Mosteiro da Batalha

» GRAFFITI HÁ 500 ANOS...

Para provar que estamos cá há bem mais tempo do que pensam, hoje saiu uma notícia curiosa lançada pela Lusa.

Letras, antropónimos, cruzes de Santa Maria, um rosto humano ou uma cegonha são alguns dos muitos graffiti que ilustram há 500 anos as paredes interiores e exteriores do Mosteiro da Batalha, monumento Património Mundial da UNESCO desde 1983.

"É precisamente baseado mais no tipo de letra que surge que nos leva a afirmar que estes graffiti não serão seguramente posteriores à segunda metade do século XVI", explicou à Agência Lusa o director do mosteiro, Júlio Órfão.

Advertindo que nesta matéria há "mais hipóteses do que verdades adquiridas", Júlio Órfão realçou, contudo, "alguns avanços" no estudo dos graffiti, resultado do trabalho de historiadores de que destacou Saul António Gomes e Jorge Estrela.


*Fonte: Agência Lusa

30.10.09

Dedicated Store

» REABERTURA

A Dedicated Store volta a abrir - como prometido - desta vez na Rua da Glória.






"Para todos que nao acreditavam, que pensavam que não voltaríamos, cá estamos de regresso...para queimar! Sábado dia 31 de Outubro, a Dedicated Store Lisboa vai finalmente reabrir em local novo, mesmo no coração de Lisboa, na Rua da Gloria (perto do Elevador com o mesmo nome e que liga os Restauradores ao Bairro Alto). Fácil de alcançar através do metro (Restauradores) ou de comboio (CP Rossio), ou simplesmente descendo o Bairro Alto. Lá estaremos à tua espera, de Terça a Sábado (das 14h as 20h). O writers bench de Lisboa renasceu! Mais detalhes brevemente...
"




Dedicated no Twitter
Dedicated no MySpace
Dedicated no Fotolog

11.10.09

Graffiti no Algarve

» A ARTE MARGINAL CONQUISTOU O ESU ESPAÇO NO ALGARVE



Os graffiti estão cada vez mais presentes nas cidades algarvias. Arte que era considerada crime é cada vez mais apreciada por todos e há quem pague para tê-la dentro de portas.

A definição de obra de arte raramente é consensual e nos graffiti o consenso ainda é mais difícil de ser atingido. Quem gosta admira, quem não gosta… chama a polícia.
Os graffiti desde a sua origem sempre estiveram associados à ilegalidade, mas o reconhecimento do trabalho e talento dos artistas está a transformar a forma como os writers são vistos no Algarve.

A cidade de Olhão é um exemplo neste aspecto. São poucas as paredes abandonadas que não estão coloridas, muitas delas pela mão de Dário Silva, de 22 anos, conhecido no mundo dos graffiti como Sen.
Dário começou a pintar há dez anos e, em conversa com o barlavento, recordou como tudo começou. «Eu desenhava em cadernos, mas não tinha muita percepção do que eram os graffiti. Quando passava de carro em Faro, com os meus pais, via coisas pintadas de graffiters que agora são meus amigos. Depois comecei a comprar latas de drogaria, a treinar com um amigo e a conhecer outras pessoas que pintavam na altura. A partir daí nunca mais parei».

Pelo meio, até ao estatuto que conquistou actualmente, que lhe permite pintar paredes em plena luz do dia, teve os naturais problemas com a lei. «Em Olhão, pintar graffiti já é praticamente legal, mas já pintei tanto, já fui tanta vez para a esquadra, que agora chegámos a um ponto que deixam pintar, já ninguém diz nada, nem telefona à polícia quando nos vê».

A mudança da atitude das pessoas da cidade e da polícia coincidiu com a mudança de atitude de Sen em relação aos graffiti. «Eu também mudei: admito que fazia vandalismo, fazia pinturas em todo o lado, mas agora respeito, já não pinto vidros de janelas, ou prédios em mármore. Só pinto paredes abandonadas, ou paredes que, se forem depois pintadas de branco, fica tudo resolvido».

Se a pintura de graffiti em paredes tem uma razoável aceitação, o mesmo não se passa com os comboios que são dos alvos preferidos de quem faz pintura de rua. Sen explicou ao barlavento porquê: «os graffiti nasceram nos comboios em Nova Iorque. É diferente pintar uma parede ou um comboio, há uma adrenalina diferente, o coração está sempre a bater por saber que a polícia pode chegar a qualquer momento. Além disso, só quem pinta comboios são os graffiters mais respeitados".

«Nas paredes legais, o objectivo é fazer uma imagem bonita para que as pessoas gostem. Já nos comboios, o objectivo é marcar o nosso nome para toda a gente ver. Apesar de as pessoas se chatearem por não conseguirem ver a paisagem quando pintamos uma carruagem até cima, isso não nos interessa muito, somos um bocado contra a sociedade neste aspecto, porque nós pintamos para quem pinta. Na comunidade de graffiters, o que interessa é quem consegue pintar mais comboios, pois há muita rivalidade e competição», acrescenta Sen.

Apesar de ser olhanense e viver na cidade, a «marca» de Sen já está espalhada por todo o país e até em Espanha. «Já pintei em quase todas as cidades de Portugal, e foi graças aos grafitti que conheci várias localidades. Já fui ao Porto ou às Caldas da Rainha só para pintar um comboio, porque há modelos que não existem no Algarve. No estrangeiro também já pintei, mas só em Sevilha».

A aceitação que a generalidade dos graffiti tem na população já foi vivida na primeira pessoa e com benefícios para Sen, que nos últimos quatro anos realizou vários trabalhos «encomendados». «Já pintei um Parque de Aventura, imensos quartos de miúdos e muitos cafés. No caso do parque, estava a pintar uma parede, quando passou o proprietário e me pediu o orçamento».

Os trabalhos «encomendados» de Sen começaram há relativamente pouco tempo, mas no Barlavento algarvio, Hélder José, de 35 anos, mais conhecido por Bamby, já tem mais experiência e criou a Style Spectrum, uma empresa que se dedica à pintura de graffiti. «Fazemos pintura para eventos, ao vivo. Por exemplo no Rock One estivemos a personalizar t-shirts. Fazemos também trabalhos para a Câmara Municipal de Portimão. O muro junto ao Sasha Beach, na Praia da rocha, foi decorado por nós, tal como a futura Casa da Juventude, para além dezenas de quartos que nos pedem para decorar».

Tal como Sen, Bamby começou a pintar de forma ilegal, decorria o ano de 1989. Pelo meio tirou um curso de design na Alemanha, algo que lhe permite comparar o fenómeno dos graffiti em Portugal e no estrangeiro. «Em Portugal, há mais pessoas a gostar do que fazemos do que a detestar. Na Alemanha, há muitas pessoas que odeiam e outras que adoram, são mais de extremos».

A evolução da forma como os graffiti são vistos pela sociedade também foi notada por Bamby, ao longo dos últimos 20 anos. «Há 30 ou 40 anos, se alguém escrevia alguma coisa numa parede ia preso, hoje esses desenhos são considerados arte. Está a quebrar-se a barreira entre graffiti e vandalismo, uma vez que este é muito associado à marginalidade e ilegalidade, mas isso já está a mudar».

A mudança é tão notória que Bamby considera que «os graffiti são a nova arte dominante que está a correr e a ultrapassar todas as outras, pois é representativa da juventude e todos querem fazer parte dela».


*Fonte: "O Barlavento"

23.9.09

RIP Cade

» 1985 - 2009



2009 vai ficar para sempre marcado pela negativa na memória e coração de muitos writers portugueses. Pouco mais de um ano após o falecimento de Kver, o writer Cade - VDS Crew - deixou-nos. Foi no passado sábado, dia 19. À família, amigos e a toda a crew VDS, as nossas condolências.

Descansa em paz Cade.











» HOMENAGEM DE PARIZ

"Sandro Miguel aka Cade - VDS Vrew - nascido no dia 24 de Agosto de 1985, deixou a sua família, amigos e crew no dia 19 do corrente mês.

A notícia caiu que nem uma bomba no peito de todos nós. Mais que um writer, Cade era um amigo, irmão, reservado e sorridente, cheio de vida e que adorava pintar. O que o motivava era toda a emoção, adrenalina e conversa com o crew após cada missão, mas não foi o suficiente para abraçar a vida nos últimos meses. Encontrava-se desmotivado e em depressão guardou isso para ele, e com ele levou a própria vida.

Nos últimos dias de vida marcou todos os spots que tinha para marcar, sozinho. Uma chamada de atenção, talvez, já que pintava sempre acompanhado. Penso que encontrou no graffiti o seu ultimo refugio.

O seu velório teve lugar na Igreja de Rio De Mouro e o seu funeral decorreu ontem. Pessoalmente não tive coragem de ir, o velório já representou uma despedida suficientemente forte. O Cade levou ao peito uma lata de spray a pedido da família, e uma t-shirt VDS. O céu abriu portas ao Cade.

O nome Cade vai com a VDS para todo lado. A saudade não nos vai deitar a baixo e vai dar-nos mais força para sair para as ruas e pintar o seu nome, levando-o sempre connosco, pois para nós o Cade não morreu, foi o seu corpo que partiu.

Vamos catalizar todas as nossas energias positivas em style, em vida, porque graffiti é vida, é dizer "eu estou aqui". Quanto a ti Cade, resta-me dizer nós estamos aqui...contigo.


Descansa em Paz. The good die young.


Se querem mostrar o quanto gostam de alguém façam-no sem medo ou vergonha. Dizer que gostamos ou amamos não é motivo de vergonha ou fragilidade mas sim motivo de orgulho.
Eu tive a felicidade de fazê-lo com o Cade em vida.

Façam graff para quem amam em vida e para que vejam a emoção nos seus olhos. Quando partem e fazemos dedicatórias ou peças para eles estamos a reconfortar-nos a nós próprios. É uma forma de suavizarmos a dor, é um adeus em cada traço, um importante e valioso adeus. Em vida é um "Olá eu amo-te".


Pariz One








VDS CREW
Pariz, Cesar, Erom, Eko, Morta, Heroi, Angel, Acet, Ante.
SEMPRE CONTIGO*

15.9.09

Reebok

» AFILLI'ART COLLECTION

A Reebok aposta na arte numa edição limitada de sapatilhas. A Affili'art Collection combina o melhor da cultura pop com a moda urbana através de importantes artistas. Trata-se de uma estratégia inovadora da Reebok para combater, assim, a queda mundial nas vendas dos produtos da marca.




A empresa de vestuário, acessórios e calçado desportivo Reebok acaba de criar a Affili'art Collection, uma linha de sapatilhas que combina o melhor do mundo da arte e da moda, com um design audaz, da autoria de três artistas de grande influência da cultura pop: Jean-Michel Basquiat, Rolland Berry e John Maeda. «Todos os artistas escolhidos são profissionais com muito talento que, na nossa opinião, podem dar um contributo essencial a uma colecção que pretende ser irreverente e original», revelou a marca em comunicado.

Jean-Michel Basquiat é um artista dedicado à prática do graffiti, em Nova Iorque, e que alcançou grande popularidade na década de 80. Trata-se de um ícone criativo da arte moderna que contínua a influenciar as subculturas urbanas. A sua obra destaca-se pelo carácter e relevância cultural. Por outro lado, Rolland Berry é um conhecido criador de Los Angeles. A sua aposta gráfica, combinando materiais e colagens gráficas, deu um look actual aos clássicos modelos Reebok.

Este triângulo criativo ficou completo com o reconhecido artista gráfico e visual John Maeda, que é actualmente o presidente da Escola de Design de Rhode Island. O trabalho de Maeda mistura o design e a tecnologia para criar desenhos muito actuais. Desta forma, reinventa o clássico estilo da Reebok mediante a aplicação dos seus gráficos, os quais cria mediante métodos matemáticos.

A Reebok aposta, assim, no street style através da fusão da arte underground e da moda baseada na cultura pop, para aumentar as vendas dos produtos da sua marca, que foi comprada, há quatro anos, pelo grupo Adidas. Este tinha como meta clara um plano de reestruturação mundial da empresa e a obtenção de lucros.






*Fonte: Portugal Têxtil

2.9.09

Tags

» SINOPSE

Recentemente publicamos o vídeo Terroir Graffiti, fruto de um projecto da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa que propôs uma exposição / intervenção e debate sobre graffiti. Um dos artistas activos neste projecto, a par de Craft, Naxa, Anabela Santos e Ricardo Reis foi Ficto.

Esta é a sinopse desse trabalho apelidado de Tags.



A palavra que surge em maior destaque no Diagrama, é a palavra Tags e que surge como título deste trabalho. Não raras vezes, é feita a dissociação dos conceitos tag e graffiti, principalmente por pessoas externas ao graffiti.
Aproveito este diagrama, que tenta definir graffiti, para reforçar a importância dos tags no graffiti.

Ao longo do tempo tenho sempre defendido que os tags são a origem do graffiti tal como o conhecemos, sendo por isso um conceito que se encontra dentro do graffiti. O tag é uma vertente do graffiti, o graffiti tem origem no tag. Quem ficar atento ao fenómeno, poderá constatar, que o tag influência muitas vezes o estilo de graffiti praticado noutras vertentes, assim como um estilo de hall-of-fame ou de bombing poderá influênciar a forma como se constroi um tag, existindo portanto uma relação recíproca entre o tag e as restantes vertentes.

Considero o tag uma das vertentes mais díficeis de desenvolver dentro do graffiti, uma vez que se trata de uma disciplina bastante minimalista, e que não se pode socorrer de tantas artimanhas estilísticas e elementos decorativos como outras vertentes. Alguns são os writers que desenvolvem trabalhos de grande qualidade no hall-of-fame ou noutra qualquer vertente, mas que na área dos tags deixam bastante a desejar. É talvez uma vertente a que todos têm acesso, e através da qual, grande parte dos writers contacta pela primeira vez com o graffiti. É uma área, no entanto, onde só alguns writers acabam por ter um trabalho de destacada qualidade.

Não quero inciar a discussão sobre o que é que define um bom tag, mas frequentemente é posta em causa a estética dos tags ou assinaturas, quando se discute o graffiti. Existe algum desconhecimento quando de tags se fala como um todo. A discussão prioritária é a superficie onde é feito o tag, devendo a questão estética passar para outro plano de discussão.

Se pudermos falar de um património de graffiti, certamente teremos que reconhecer a importância de tags feitos por writers pertencentes às crews PRM, NCW, MWA, GVS que surgiram em algumas zonas da cidade a meio da década de 90. São diversos os motivos que dão interesse a estes tags.

Estamos a recuar a uma época em que pouco graffiti existia em Portugal, e onde certamente a maioria das pessoas desconhecia até a palavra, que no fundo dava nome a algo que quase ninguém tinha visto. Se por um lado o hall-of-fame levantava mais questões legais do que éticas, certamente não foi fácil iniciar uma vertente como o tagging, que se adivinhava desde início polémica.

Hoje podem até parecer tags bastante tímidos, mas na inexistência de qualquer vestígio de graffiti, estes eram completamente dissonantes da restante paisagem arquitectónica. Acrescentando-se o facto de nesta altura o graffiti ter um reduzido número de praticantes, o que trazia a possibilidade, mas também a responsabilidade, de decidir que imagem do graffiti transmitir à restante sociedade. O reduzido número de praticantes dificultava também a preservação do anonimato dos seus autores.

A abordagem ao graffiti pelo tag comprometia o esforço desenvolvido no sentido de liberalizar ou legalizar paredes para a prática de hall-of-fame. Isto mostra que apesar de todos os riscos, o tag foi considerado por estes writers uma vertente bastante importante para cumprir os pressupostos incutidos pela cultura do graffiti.

Estes tags são interessantes porque possuem uma correspondência com a estética da altura, o que permite defenir um marco temporal para o seu aparecimento. O próprio desenho das letras já permite datá-los, mas, numa altura em que não eram ainda comercializadas latas para um seguemento de graffiti, mas sim para um seguemento industrial, o tipo de spray utilizado, certamente confere a estes tags uma expressividade quase impossível de reproduzir nos dias de hoje.

No final da década de 90/ início desta década, gostaria de destacar o trabalho de crews como GVS, FYA e SKTR. Fruto talvez de algumas viagens, e do contacto com writers oriundos de outros países, pode-se dizer que estas crews massificaram o tagging em Portugal, questionando limites éticos existentes, embora reproduzindo o que já tinha acontecido um pouco por toda a Europa.

Tornou-se habitual a utilização de caps que permitiam uma maior espessura de traço, assim como também passou a ser comum o uso de marcadores, alguns com vários centímetros de expessura, e que já eram comercializados nas primeiras lojas dedicadas ao graffiti. Ainda assim esta importação não deixa de ser meritória. Intencionalmente ou não, acabou por fomentar talvez a primeira vaga de moda em relação aos tags.

Destaco talvez a zona de Benfica, onde a presença dos tags se fez sentir em todo o edificado, mobiliário urbano, e nos transportes públicos que circulavam naquela zona. Muitos foram os writers que tiveram uma presença bastante efémera no graffiti, nunca trabalhando além do tagging; para outros foi o ponto de partida para o desenvolvimento de trabalho noutras vertentes, o que reforça a ideia que na maior parte dos casos o primeiro contacto com o graffiti é feito através do tag.

Desta época, até aos dias de hoje, o tag tem evoluído. Se falarmos de quantidade, certamente aumentou. No entanto eu não consigo encontrar uma explosão tão grande como no caso que referi anteriormente. Mas tendo como referência esta explosão no final da década de 90, rapidamente percebemos que existem vários writers a fazer tags há pelo menos 10 anos, e que se têm apresentado bem mais ágeis do que qualquer política de limpeza. Com o aumento constante dos tags, são muitos os que gradualmente têm extremado as suas atitudes, fazendo mais e maior. Provavelmente quantidade e tamanho são os factores que vão conferindo um maior destaque.

Existem poucos estudos e estatísticas nesta área, mas se para muitos a presença no graffiti é éfemera, em contrapartida todos os anos existem novos writers a passar por um processo de inciação. Podemos então talvez especular sobre um ligeiro aumento constante do número total de writers. Alguns dos novos writers já se iniciam com o objectivo de fazer uma grande divulgação do seu nome através do tagging. Este aumento, aliado ao extremar de posições, aos factores mais e maior, faz com que o número de tags na cidade seja também ele crescente, e tenha cada vez mais um maior impacto.

Desde meados desta década temos assistido ao aparecimento de outros materiais no graffiti, que não o aerosol. Este facto reflecte-se também ele no tagging. Rolos para aplicação de tinta plástica e compressores de tinta são os que mais se têm feito notar.

São processos que permitem trabalhar o tag numa nova escala, e intervir em sítios mais altos. Dão-lhe também uma nova expressividade através da tinta que escorre. É fácil encontrar tags com a marca da tinta que escorre nas fotografias de graffiti dos anos 70 em Nova Iorque. Penso que esta técnica durante muitos anos foi um factor depreciativo na avaliação de um tag, como se indiciasse uma falta de habilidade e competência para trabalhar com ferramentas como o aerosol. Vemos então actualmente a técnica dos escorridos recuperada e ampliada, quer através da utilização dos novos materiais, quer através dos sprays ou marcadores.

Durante várias décadas, o aerosol foi o material fétiche do graffiti, talvez devido à sua difícil aquisição, à sua dificuldade técnica, ao seu fácil transporte e ao aspecto inconfundível que caracteriza uma pintura a spray. Este material despertou certamente o interesse de muitos por graffiti. Hoje, por diversos factores, como a banalização da comercialização de latas de spray, e o seu preço elevado, (embora continue a ser o material mais utilizado), o monopólio do aerosol caiu. A novidade é agora materiais que desde há muito estavam disponíveis no mercado, a maioria até antes do aparecimento do próprio graffiti, mas que só foram adoptados à medida que o dogma graffiti=sprays foi perdendo força. A aniquilação deste dogma talvez seja uma das primeiras consequências do aparecimento do chamado pós-graffiti.

Surgem também novas abordagens: a pixação, estilo de tag originário da cidade de São Paulo, serve agora de inspiração por toda a Europa. A tipografia e caligrafia clássicas estão também bastante presentes, trazendo uma maior leitura, permitindo uma descodificação do tag, tornando-o acessível aos públicos externos. Estas influências, aliadas a velhos e novos materiais, tornam a fase actual do tagging bastante interessante, sendo precoce destacar nomes.

Todos os writers, em determinada altura do seu percurso, acabaram por se encontrar com o fenómeno do tagging.


Autor: FICTO

*Foto: Marta Guerreiro

1.9.09

Oeiras

» ISALTINO MORAIS APOSTA NO GRAFFITI





Quase de um dia para o outro, Oeiras acordou com túneis e paredes de viadutos cobertos por flores, ondas e árvores pintadas. "Desde o ano passado, estamos a recuperar pinturas feitas de forma desorganizada em paredes, de maneira a reabilitar zonas de passagem recorrendo a graffiti", conta ao i Madalena Castro, vereadora do Ambiente da Câmara Municipal de Oeiras.

O projecto está praticamente concluído e inclui a recuperação dos túneis de acesso a três praias - duas em Santo Amaro de Oeiras e uma em Paço d'Arcos -, das paredes do viaduto da rotunda de Porto Salvo e do túnel de Carnaxide (o último projecto, por concluir).

Mas é no modo de reabilitar que está a novidade: "O objectivo era humanizar", sublinha a vereadora. Para isso, a autarquia contratou uma equipa de quatro graffiters e pediu-lhes propostas para as áreas escolhidas. Perto da praia, os desenhos ligados ao mar foram o tema escolhido; na zona urbana, natureza e ambiente dominam.

"À medida que fazemos o trabalho, o espaço e o projecto inicial acabam por transformar- -se", diz ao i Sérgio Odeith, um dos graffiters. "É engraçado. Quando colocamos o primário (que nós somos como os pedreiros) nunca ninguém diz nada, mas quando já se vêem os desenhos, as pessoas apitam e fazem sinal de que gostam." A reacção tem sido, portanto, positiva e Madalena Castro diz que a autarquia não exclui novos projectos.


*Fonte: Jornal i

Cartel 3.0

» FRESH

O Cartel Urbe sofreu uns ajustes com o objectivo de se tornar ainda mais completo e intuitivo.

Mais clean do que a versão anterior, e embora mantendo a base original, tem uma nova formatação e alguns pormenores diferentes ao nível dos posts. Para além da renovação da lista de músicas do player, foram também adicionadas duas novas mini-aplicações do lado direito que permitem fazer uma pesquisa dentro do blog (para encontrar posts específicos) e também partilhar o Cartel no Twitter ou no Facebook.

Mais uma vez fica o apelo ás vossas colaborações, com fotos, vídeos, divulgação de eventos ou artigos, links e tudo aquilo que possa fazer com que o Cartel seja cada vez mais versátil e actualizado com mais frequência. Sempre através do mail: cartelurbe@gmail.com

13.8.09

Fraude

// Graffiti com Açucar

Este é um post de alerta a todos os artistas nacionais, e que prova que devemos todos ter cuidado e estar atentos ao fenómeno do graffiti. Há sempre quem se aproveite de nós, muitas vezes sem sabermos, de uma forma descarada e ridiculamente estúpida.

Surgiu uma nova empresa de nome "Graffiti Decor", com uma apresentação e logotipo que transparecem o verdadeiro lado toy da coisa. Esta teórica empresa, que tem como slogan "Decoração em graffiti: a sua imaginação não tem limites", informa os "clientes" de que "A verdadeira arte do Graffiti não são os riscos existentes nas ruas…".

Depois de lermos o blá blá sobre a coisa fantástica que é o graffiti como decoração, temos esta informação na secção "Quem somos":

"A Graffiti Decor é uma empresa composta por quatro dos melhores graffiters Portugueses da actualidade, e ainda, por uma pessoa responsável por toda a área de contactos, comunicação e publicidade.

A Graffiti Decor foi a primeira empresa a nível nacional a ser criada dedicada unicamente à Decoração em Graffiti, sendo que também é uma das primeiras empresas de Graffiti a nível Europeu, já tendo efectuando serviços em Espanha, França, Alemanha, Inglaterra, Irlanda, Suiça, Liechtenstein e Itália.

Os artistas que pertencem aos quadros da Graffiti Decor são todos eles jovens reconhecidos e inclusivamente premiados a nível nacional e internacional por diversos trabalhos desenvolvidos.

Da junção destes jovens artistas até então trabalhadores independentes, formou-se uma empresa única e de classe na área da decoração, a Graffiti Decor."


Até aqui tudo bem, a questão dos egos há-de sempre fazer parte e os que se dizem melhores são realmente melhores. Tanto que são premiados e já trabalharam em tantos países estrangeiros. Não se discute...é nacional.

Mas chegamos à secção de "Fotos", e depois de lermos "A seguir apresentamos fotografias de alguns dos nossos trabalhos" vemos trabalhos do Doc, do Pariz, misturados com Jesus Cristo, Super Mario e claro, Banksy. Desconhecemos se os artistas autorizaram, excepto o Super Mario e o Jesus Cristo com os quais confirmamos.

Resta convidar-vos para uma visita ao site da "Graffiti Decor".

3.8.09

C.M.Porto

// Câmara do Porto traça plano de limpeza dos graffiti para "dissuadir prática ilícita"



O plano de intervenção traçado pela Direcção Municipal do Ambiente e Serviços Urbanos visa "manter a cidade limpa e combater o sentimento de insegurança".

São sobretudo stencils, graffiti e tags os grafismos da chamada street art que estão a ser alvo de uma acção de limpeza por parte da Câmara Municipal do Porto. O plano definido pela Direcção Municipal do Ambiente e Serviços Urbanos (DMASU) engloba muitas paredes da cidade, mas, neste momento, os esforços de remoção estão voltados para as travessas de Cedofeita e do Carregal e para a Rua D. Manuel II. A intervenção em Cedofeita está a decorrer desde a segunda semana de Julho, mas Gabriela Leite, da DMASU, prevê que a brigada continue a actuar naquela zona "pelo menos mais um mês".

Até ao momento, as duas equipas de intervenção que a câmara constituiu removeram "600 metros quadrados de graffiti e 2000 metros quadrados de outras sujidades que não graffiti". A operação de limpeza das paredes das ruas do Porto surgiu na sequência de "um levantamento exaustivo dos graffiti existentes na cidade" que permitiu a definição de um mapa de actuação conhecido internamente. Apesar de não serem divulgados os próximos locais alvo da operação de limpeza, o certo é que "sempre que voltar a aparecer um graffiti na zona já intervencionada, a sua remoção será prioritária", avisa a DMASU.

A câmara acredita, assim, que "a rapidez de actuação pode dissuadir a prática ilícita" e "combater o sentimento de insegurança".
A DMASU explica ainda que o plano de limpeza das paredes vem dar resposta "a uma grande preocupação do Pelouro do Ambiente", tutelado pelo vereador Álvaro Castello-Branco: "manter a cidade limpa e agradável em todas as vertentes do sistema municipal de limpeza urbana".

Contactados pelo PÚBLICO, os graffiters Gon e Mr.Dheo acreditam que era importante haver uma selecção dos grafismos removidos pelas equipas de intervenção. "Há tags que realmente não deviam estar lá, mas a câmara devia ter um meio-termo", afirma Mr. Dheo. "Se optarem por uma limpeza a cem por cento pode haver um aumento das pinturas", acrescenta o artista urbano. Sobre esta possibilidade, Gon não mostra dúvidas: "É bom que tirem algumas coisas, mas daí a acharem que a Travessa de Cedofeita vai ficar limpa, não me parece", revela entre risos. Para Gon, uma forma de tentar evitar a pintura ilegal seria a aprovação por parte da câmara de algumas propostas em determinados locais da cidade. "Não há local nenhum e esse é que é o problema, aliás, agora nem há sítios onde comprar uma lata", revela Gon. "A arte urbana noutros países é uma disciplina, aqui os artistas urbanos são vistos como criminosos. É triste", acrescenta.

// Pintar com contrato

Perante um cenário em que é ilegal pintar em qualquer lado da cidade, Mr. Dheo opta por fazer "contratos" com os proprietários das casas que apresentam muros interessantes para o graffiter. "Os espaços que temos somos nós que conseguimos", afirma. "Quando vemos uma casa com um grande muro virado para a rua, batemos à porta e pedimos autorização para pintar. Depois elabora-se um documento que é assinado por ambos", esclarece Mr. Dheo.
Segundo a Câmara do Porto, este ano já foram limpos "cerca de 10 mil metros quadrados de fachadas em várias artérias da cidade, de que são exemplos a marginal desde a Praça de S. Salvador até ao Molhe, Cordoaria, Carmelitas, Soares dos Reis, Galerias Paris, Miguel Bombarda, Avenida dos Aliados, Santa Catarina, Sá da Bandeira, Ribeira, bairro de S. Tomé, bairro da Pasteleira, Mata da Pasteleira e jardim de S. Lázaro". A calendarização das próximas acções de limpeza depende de factores como "o grau de reincidência em zonas já intervencionadas, o número de graffiti novos que aparecerem noutras zonas, o grau de dificuldade de remoção e o acesso ao local".

// Artista Mr.Dheo confiante

Projecto entre graffiters e autarquia pode avançar

Há cerca de duas semanas, o graffiter Mr.Dheo esteve reunido com o vereador da Cultura, Turismo e Lazer, Gonçalo Gonçalves, para a apresentação de um projecto de reabilitação do Porto com recurso à arte urbana. "Não quero adiantar muito", afirma, "mas é um projecto de intervenção artística pensado, com conceito, em espaços onde as pessoas possam ver", esclarece. Mr. Dheo conta que já tentou lançar propostas de reabilitação de locais do Porto várias vezes, mas que nunca conseguiu "chegar ao coração das pessoas". Apesar de estar confiante em relação à concretização do projecto discutido na câmara, o graffiter lamenta que o apoio tenha chegado tão tarde. O PÚBLICO tentou entrar em contacto com Gonçalo Gonçalves para conhecer outros pormenores da reunião, mas não obteve resposta. Sabe-se apenas que a proposta apresentada pelo artista urbano está a ser avaliada pelos vários serviços da autarquia.

*Fonte: O Público

30.7.09

Concurso Cartel

// 1 dia

O primeiro concurso Cartel Urbe, que vale ao vencedor um DVD Referência (vol 1) está a terminar, por isso quem ainda quiser enviar o sketch terá de o fazer até ás 16h de amanhã.

Relembramos que o sketch tem de ter como base o lettering "Cartel Urbe" ou "Cartel", pode ser a cores ou a preto e branco e até ser adornado com characters ou outros elementos que entenderem. Alguns dos sketches que recebermos serão depois aplicados no banner do blogue.

Obrigado a todos os que já participaram.

28.7.09

Entre Linhas

// Arte & Copi






A Entre Linhas é um projecto da Arte & Copi e que tem como objectivo criar um suporte físico de divulgação do panorama português de arte urbana.

Bimestral e com 36 páginas, esta revista abrange todas as vertentes - hall of fame, subways, trains, bombing, oldies, entre outros - e é vendida, por enquanto, apenas através da Arte & Copi, quer na loja ou por correio (por encomenda).

Brevemente, a Entre Linhas será vendida em mais lojas de Norte a Sul do País. Como sempre, todos os writers podem contribuir com fotos, textos e ideias para o mail entrelinhas22@gmail.com, assim como pedir a revista por CTT.

O Cartel Urbe deseja a maior sorte a este projecto e apela a todos os writers que colaborem. Não é nada fácil levar a cabo um projecto destes, e é de louvar um esforço que é feito muitas vezes sem lucro para que a comunidade do graffiti português se mantenha em mais frentes e o mais divulgada possível.